Fotos da serra gaucha rs

Date: 15.10.2018, 02:55 / Views: 82282

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Recebi olhares tortos quando anunciei, entre amigos, que meu próximo destino seria Gramado.

Uma jornalista de Porto Alegre não demorou em dizer “Bah, Gramado é o Projac da Serra Gaúcha”, em referência à cenografia de casas de estilo alpino e à sequência de lojinhas boutique da avenida principal.

Com uma estrutura capaz de envergonhar outros endereços turísticos do país, Gramado é um dos destinos nacionais mais procurados por brasileiros e até levou, recentemente, o título de melhor destino do Brasil, naquelas votações virtuais feitas por internautas.

Não que a cidade precise ser riscada da sua lista de viagens, mas ver um grupo de brasileiros carentes de neve, entocados numa construção fechada que imita uma estação de esqui, com um sol a pino do lado de fora, em pleno mês de março, foi uma das experiências mais deprimentes que senti em viagens.

Gramado, na Serra Gaúcha (foto: /Flickr-Creative Commons)

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O dia azulado lá fora, no meio da manhã, já passava dos 26 graus. Mas a senhora metida em um pesado macacão azulado tentava aquecer as mãos sob o par de luvas que segurava uma xícara de um (ralo) chocolate quente que, na época, era vendido por R$ 14, em um quiosque com neve cenográfica no telhado, em um cenário que eles juram que é a réplica de um vilarejo alpino.

Até vinho tinto descia melhor naquele dia de sol forte, na última semana de verão gaúcho. Se existisse, San Carlos de Bariloche se reviraria no caixão.

Como todo destino popular, Gramado também tem suas roubadas (e cada uma delas pode ser evitada para garantir uma viagem menos traumática):

Trânsito caótico
Tem que querer muito para trocar a engarrafada São Paulo e repetir o erro em Gramado, em plena temporada de férias.

Com atrações dispersas, ao longo da via que liga Gramado e a vizinha Canela, o destino mais famoso da Serra Gaúcha exige um carro (e muita paciência) para quem quer explorar ruas estreitas que se entopem de motoristas indisciplinados que engrossam filas inertes, nas saídas das atrações.

A população temporária de Gramado parece programada para fazer as mesmas atividades, nos mesmos horários. Todo mundo quer comer no mesmo restaurante, visitar o mesmo museu e fazer compras na mesma lojinha.

Sem falar nas modeletes que circulam pela avenida Borges de Medeiros, metidas em roupas,  como se estivessem na Bahnhofstrasse de Zurique (essa, sim, suíça e com serviços à altura).

E para não se sentir na 25 de Março, em semana de datas comerciais comemorativas, evite a cidade em época de Páscoa ou pré-Natal (dizem que a população local se multiplica como coelhos ou ajudantes de Papai Noel).

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Chocolate indigesto
Tô bem longe de ser especialista em chocolates, mas, logo na primeira mordida, a gente sabe a diferença entre barras doces feitas com generosas doses de açúcar e as feitas com cacau.

Os chocolates dali são lindos e tem até uns em forma de Kikito do Festival de Cinema de Gramado. Mas a experiência é desastrosa: um pedaço pesado e açucarado que se esconde sob embrulhos caprichados com lacinhos e filme plástico (!).

E as propostas por ali são ousadas. Endereços de quase 30 fábricas de chocolate, Gramado vê tramitar um projeto que lhe daria o título de Indicação de Procedência, selo que garante a procedência geográfica de um determinado produto.

Mundo do Chocolate, em Gramado (foto: Eduardo Vessoni)

Chocolate bom mesmo é aquele (não-comestível) que fica em exposição no Mundo do Chocolate, um espaço de 3 mil m² que abriga réplicas de monumentos do mundo esculpidos com chocolate.

Aliás, não tem destino brasileiro com tanto talento para inventar museu como Gramado.

Museus de nada
Enquanto Canela, a sete quilômetros dali, sabe aproveitar o que a região tem de melhor (de graça, natural e ao ar livre), Gramado se esconde em ambientes fechados que, em nenhum momento, lembra a geografia única da Serra Gaúcha.

Em Gramado, tem museu de monumentos mundiais em miniatura, de motos, de carros esportivos (onde você dirige uma Ferrari modelo 458 por R$ 799, já com o descontinho de 10%), de automóveis clássicos, de cera (com versões constrangedoras de bonecos que podem ser vistos a R$ 65 por pessoa) e tem até museu de dinossauro (!!!) com versões de bichos que se movimentam com a mesma habilidade animatrônica das séries dos anos 70.

Detalhe de um dos museus de Gramado (foto: Caliel Costa/Flickr-Creative Commons)

Segundo regras internacionais, um museu é uma instituição sem fins lucrativos que conserva, investiga e interpreta coleções de valores histórico, artístico, científico ou de qualquer outra natureza cultural, “a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento”.

Mas por ali não tem essa de “sem fins lucrativos” e “coleções de valores histórico e artístico”. O passaporte para visitar cinco museus de um mesmo grupo custa, por exemplo, quase R$ 150 por pessoa (mas eles parcelam em seis vezes, fica tranquilo).

Sequência de fondue
Não queremos dizer que mergulhar um pão italiano em uma panelinha de queijo fumegante não seja um ato digno para noites de frio.

Mas pagar quase R0 por pessoa para comer uma sequência de fondue em ambientes escuros que tentam dar clima romântico, com trilha sonora tirada de elevador, é uma das maiores roubadas do destino.

Foto ilustrativa (foto: /Flickr-Creative Commons)

No meu caso, a casa era tão mal iluminada que eu não conseguia distinguir se o que vinha nos potinhos era banana, melão ou marshmallow.

Tem também as carnes, servidas à vontade e com o acompanhamento de molhos tão diversos que a gente já nem sabe o sabor de cada um.

Neve artificial
Eles juram que o local tem clima europeu. A gente só não conseguiu ver onde, naquela mal sucedida mistura de Frozen com Holiday on Ice.

Sem essa de que o local é perfeito para quem nunca viu neve.

Gramado não é Bariloche (nem qualquer outro lugar do mundo com condições naturais para nevar) e se você quer ver mesmo um cenário nevado, Gramado, definitivamente, não é o seu destino.

Os funcionários são mal-humorados, beirando à indisposição grosseira, e as atrações se resumem a atividades sobre um terreno com neve artificial, rodeada por lojinhas boutiques que comercializam produtos três vezes mais caros do que em qualquer outro centro de compras de uma capital brasileira.

Os preços também são elevados. Na alta temporada, que começou em junho, o passaporte saía por R$ 169 por cabeça (e sem direito às atrações mais interessantes do local).

Só para terminar
E uma última dica: depois das 11 da noite, Gramado fica tão agitada quanto uma cidade cenográfica do Projac, depois de um dia de gravação.

No final da viagem, a gente descobre que o melhor de Gramado é Canela.

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